Oi, mãe!
Hoje eu não sei muito bem o que contar… Na semana passada, senti muita saudade. Uma saudade assim, doída. Daquelas que dilaceram de tanta vontade de ouvir, mais uma vez, a voz de quem se foi.
Às vezes fico pensando se vou continuar lembrando da tua voz pra sempre. Tenho medo de esquecer. Mas aí, quando fecho os olhos, consigo ouvir a tua gargalhada brincalhona, do jeitinho que sempre foi.
Em alguns momentos, me pergunto se ainda vou lembrar dos teus conselhos, mesmo depois de anos sem tua presença. E, de novo, quando isso acontece, me vem teu cheiro, a lembrança do toque da tua mão e até mesmo a imagem certinha de cada manchinha na tua pele.
A ausência é uma coisa meio doida, né? Ela faz com que a gente duvide do quão forte é a ligação criada com quem a gente ama. Bobeira pensar que seria possível esquecer qualquer mínimo detalhe a respeito de ti. A real é que é justamente por causa desses detalhes que a tua companhia me faz tanta falta…
Uns dias atrás, me bateu uma vontade de fazer bolo. Quando cheguei no mercado, qual foi a minha surpresa? Lá tava ele: o pacote de massa de bolo de chocomenta que tu sempre fazia. Só de ver a embalagem, senti até o cheiro do bolo pronto, quentinho, saindo do forno, perfumando a casa com menta.
Sorri enquanto olhava a prateleira cheia de pacotes de massa de bolo. Acho que o senhorzinho que passou por mim, no mesmo corredor, deve ter me achado maluca. Mal sabia ele que era só saudade.
Daquelas doídas, que dilaceram. Mas daquelas que também trazem todas as lembranças que comprovam que tudo valeu a pena.
Já estou até te ouvindo falar que chega de computador por hoje. Acho que vou aproveitar pra descansar e comer um bolo. Só pra lembrar mais uma vez que, como sempre, eu sigo te contando.
