9 de março

Oi, mãe!

Ontem eu teria te ligado. Mais que isso, teria feito qualquer coisa pra estar presente na comemoração de mais um ano da tua vida.

Sabe… eu ontem acordei achando que o dia seria de céu azul, nuvens branquinhas, ar fresquinho e um sol acolhedor. Mas, quando saí de casa, percebi que estava tudo cinzento e chuvoso – daqueles dias em que a gente só quer ficar em casa debaixo de uma coberta.

Bastaram alguns passos pro meu pensamento lembrar que dia era e me mandar o lembrete de “é hoje!”. Engoli a tristeza que chegou junto com o dia feio e fui trabalhar.

O dia passou, tive a grata companhia de pessoas que me fazem bem e, durante algumas horas, até esqueci da data.

Mas, no início da tarde, mais uma notificação do meu calendário interno chamado cérebro.

Voltei às publicações feitas em rede social e encontrei uma das fotos que mais gosto de nós duas com o seguinte trecho: “Nesse 9 de março, como em todos os outros, eu só quero que ela tenha um dia feliz ao lado de quem ela ama. Que ela possa estar presente por muito mais tempo, pra que eu continue expressando, todos os dias, o quanto eu amo essa mulher”.

Ao olhar a data da publicação, percebi que foi no penúltimo aniversário com a tua presença física. A situação já não era das melhores, mas eu ainda me agarrava à necessidade de te ter aqui por mais tempo.

Na verdade, acho que sempre vou precisar, né?

E, enquanto eu ainda tentava entender essa ausência, a vida foi acontecendo.

Muitas coisas mudaram.

Eu saí da casa dos 20. Amadureci ainda mais. Troquei de emprego duas vezes. Peguei mais um cachorro. Casei. E em todos esses momentos eu senti a tua falta.

O que tu me diria ao me ver chegar aos 30 anos? Qual seria o conselho que iria me dar quando eu tivesse dúvidas sobre a minha carreira? Será que gostaria do vestido que eu mandei fazer pro casamento?

Depois desses cinco anos, essas perguntas passaram a ser recorrentes. Não importa o que aconteça, eu ainda sinto a necessidade de ter a tua opinião pra me sentir confortável com as decisões. Me contento ao pensar em voz baixa que, no fundo, eu sei exatamente a resposta pra todas essas perguntas. Porque tu sempre esteve ali, de alguma forma ou de outra.

E talvez seja por isso que ontem ainda tenha parecido tão natural pensar em pegar o telefone e te ligar. Só pra dizer uma coisa simples, como sempre foi:

feliz aniversário, mãe.