Oi, mãe!
Julho é um mês estranho. A primeira quinzena traz o marco da tua partida (que completou cinco anos). A segunda vem com a comemoração da vida da parte que me resta: o aniversário do pai.
Dois sentimentos opostos. Duas reflexões pra fazer.
Em meio a tudo isso, a vida segue. O despertador toca, os e-mails não param de chegar, a rotina continua do mesmo jeito. Talvez por isso, esse ano, o dia 13 de julho quase tenha passado batido. Foram tantos acontecimentos, tantos desafios pra enfrentar… voltar àquele dia, mais uma vez, foi algo que, inconscientemente, tentei evitar.
Pudera…
O despertador toca, os e-mails chegam, a rotina segue e, de repente, a lembrança aparece. Mas, dessa vez, ela veio como uma confirmação de que tudo pode ficar bem. De que a vida, de fato, precisa continuar.
Fiquei grata por ter tirado um tempo pra ir pra casa. Foi menos sofrido passar por esse dia sabendo que, algumas semanas antes, eu tinha aproveitado ao máximo a companhia de pessoas importantes. Comemorei o meu aniversário e revivi a rotina de Copa do Mundo em família, como foi durante tanto tempo.
E as lembranças seguiram lá.
Mas, dessa vez, elas vieram pra me dar a certeza de que estava tudo bem.
A ausência nem sempre é um buraco. Ela é um abismo no início, é verdade. Mas, com o tempo, transforma a tristeza em valor. O buraco diminui. A gente vai preenchendo aquele espaço com novas memórias, novas experiências, novos momentos.
E aprende o valor que precisa dedicar a quem está aqui. A quem ainda pode compartilhar o presente e o futuro com a gente.
Não porque o passado não tenha importância. Não porque quem se foi não faça falta. Mas porque a perda também nos faz enxergar o quanto a presença é valiosa.
Acho que é isso que eu aprendi esse ano.
Foram cinco anos, mãe. Cinco anos que levei pra aprender a lidar melhor com a ausência. Mas também foram cinco anos que levei pra aprender sobre presença.
Porque, mesmo em meio à ausência, tu tá sempre presente.
Talvez esse tenha sido o jeito que julho encontrou de me ensinar que algumas pessoas partem, outras ficam. A vida continua, os aniversários chegam, as mesas voltam a se encher, e a gente aprende a celebrar sem esquecer quem não está mais aqui.
Porque, no fim, acho que é isso o que o amor faz com a gente, né? Ele nos ensina a sentir falta sem deixar de agradecer pelo que ainda temos.
E eu sigo aprendendo, mãe.
Sempre contigo. Mesmo quando tu não está.

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