Oi, mãe!
Hoje eu vim contar sobre algo que eu voltei a fazer depois de muito tempo: ler. Lembra de quando tu fez um caderninho especial onde escrevíamos novas palavras que íamos encontrando nos livros com o propósito de melhorar meu vocabulário?
A leitura sempre foi algo importante pra nós – tu, pedagoga, e eu uma exímia amante dos livros (a estante lá de casa ainda tá abarrotada de livros, viu?).
Depois de analisar algumas sugestões, escolhi um chamado A loja de cartas de Seul. É curioso como algumas histórias parecem encontrar a gente exatamente no momento certo… O livro fala sobre cartas cheias de sentimentos que, às vezes, a gente não consegue dizer em voz alta. Enquanto eu lia, não consegui deixar de pensar em como eu também sempre usei a escrita como uma forma de expressar sobre coisas mais profundas.
Mas, além disso, o livro também me conectou com outra coisa que sempre esteve presente na minha vida, mesmo quando eu nem percebia muito. Sim, a cultura coreana.
Época boa aquela em que a gente dividia o andar do prédio com aquela família coreana, né? Eu passava mais tempo na casa deles do que na nossa. Ia pra brincar, pra comer coisas diferentes e pra assistir aquelas novelas que eu não entendia quase nada, mas adorava mesmo assim.
Tu costumava dizer que eu entendia tudo, só não sabia falar. E é engraçado pensar nisso agora, porque tantos anos depois eu resolvi começar a estudar coreano. O pai até deu risada quando eu contei. O que será que tu diria?
Não sei… parece uma dessas coisas que a vida vai deixando pra depois até que um dia a gente resolve voltar.
Mas, sobre o livro e toda essa relação com a cultura e vontades antigas, pensei que talvez algumas partes da nossa história nunca desaparecem de verdade. Elas só ficam quietinhas por um tempo, esperando a gente reencontrar.
A leitura voltou. As cartas também.
E, de alguma forma, aquela menina curiosa pelo mundo e tudo o que o rodeia ainda tá por aqui, num domingo qualquer de bate-papo.
Fica bem. Até breve.
